quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Nosso trabalho sob a vontade de Deus

Ao ler o livro O Pastor Contemplativo, Eugene Peterson, me deparei com uma afirmação que muito incomodou-me quando mais jovem e percebo que ainda me incomoda quando tenho de enfrentá-la. Pior, parece que sempre me sentirei incomodado – O Crescimento É Uma Decisão.


A famosa pergunta de Hamlet: “Ser ou não ser?” não é a nossa maior questão. Pode ter sido para William Shakespeare, para o próprio Hamlet ou para qualquer ator que o quisesse interpretá-lo. Não para nós.

A nossa questão e luta é “Querer ou não querer?”.

E para nós, pastores e líderes, que experimentamos e pregamos um evangelho da graça divina, em que não há lugar para méritos da nossa vontade, somos sempre impactados com a vontade humana versus a vontade de Deus.

Nem o mais ardente calvinista nega a sua luta interior. Mesmo crendo na graça soberana de Deus não nega a sua própria vontade, mas submete-se, mesmo entre lágrimas às vezes, à vontade de Deus. O submeter-se é uma ato de vontade. Decido submeter-me!

Entrega! Espera! Confia! Segue! Prega!

Em todo apelo bíblico de entendermos e aceitarmos o governo de Deus em nossa vida, a resposta esperada sempre será a manifestação da nossa vontade em favor da vontade de Deus.

Logo, diz Eugene Peterson, “a minha vontade é a minha glória, mas é também o que mais me dá trabalho”.

Eugene Peterson trata de 3 áreas de nossa vida que experimentamos os maiores desafios entre a nossa e a vontade de Deus: o Trabalho, a Linguagem e o Amor. Mas eu quero falar apenas de um; do trabalho - Submetendo o trabalho à vontade de Deus.

 
Desde cedo, todos nós, tivemos a experiência de aprender a trabalhar logo cedo, nas pequenas e despreocupantes atividades domésticas. Mas nada se compara à experiência de nos sentirmos confiantes e independentes com o nosso primeiro emprego.

Como isso é bom! Mas como também é perigoso!

Acharmos que já não dependemos que não precisamos mais de quem nos sustente. Logo descobrimos que o dinheiro que a gente ganha não é a garantia de nossas vontades serem soberanas. Logo descobrimos que o dinheiro não paga nem mesmo nossa liberdade.

Mas, o mais impressionante no trabalho é você descobrir que, independentemente do seu conhecimento e de suas habilidades, o trabalho sempre será feito. Daí a máxima de que ninguém é insubstituível.

O adolescente, recém contratado, animado com a descoberta do Ego maravilhoso e confiante em suas habilidades aflorando, supõe que a vida consiste em expressá-lo para a edificação de todos os outros.

Mas, os verdadeiros trabalhadores, os especializados, praticam a supressão do “eu” para que o trabalho aconteça por si mesmo.


Veja João Batista: “Que Ele cresça e que eu diminua” (Jo.3:30). Veja Jesus, no testemunho de Paulo: “antes a si mesmo se esvaziou...” (Fp.2:7). Esvaziar é o prelúdio de encher. Nenhum vaso cheio tem utilidade para outra tarefa até que seja esvaziado.

Essa é a noção que cada um tem de ter, e que Eugene Peterson chama de Capacidade Negativa. O mais útil não é o que se acha mais capaz. Antes, útil é aquele que, apesar de ver-se incapaz, é chamado por Deus.

O que diremos de:
  • Jeremias – Sou apenas uma criança / Não digas sou apenas uma criança;
  • Moisés – Quem sou eu? / Eu irei contigo;
  • Isaías – Ai de mim! Estou perdido! / Vai e dize a este povo.

David Hansen, em seu livro A Arte de Pastorear, falando a respeito do chamado pastoral, diz que a questão crucial do ministério é a negação de si: “Aqueles que se dispõem a sofrer a negação de si, são parábolas de Jesus e são pastores”.

O trabalho bem feito cultiva a humildade.

O trabalhador que faz a obra é um servo que permanece em segundo plano. Porque todo trabalho, quando sujeito à vontade de Deus, é um aprendizado no trabalho de Deus.

Que ao trabalharmos, em qualquer área, a nossa consciência esteja pautada na admoestação de Paulo: “...tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor e não para os homens, sabendo que receberão a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo”. E que nossa oração seja como a do Senhor: “Não seja como eu quero, e sim como tu queres” (Mt.26:39).

Amém!

Sole Deo Gloria

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